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Em entrevista exclusiva, a MasterChef Irina comenta sua vinda a Mossoró e revela novos planos da carreira

Por: Redação

A chef potiguar Irina Cordeiro, umas das participantes do MasterChef, da Band, visitou Mossoró nesta semana, onde realizou durante ontem e hoje (18), um “Dinner” no Tchê Restaurante. Durante a visita, Irina conversou com a equipe de reportagem do Mossoró Notícias, e contou um pouco de sua trajetória.

Visual jovem, gestos elétricos e muita energia criativa, ela virou celebridade nas redes sociais após participar da segunda edição do MasterChef em 2017. Irina tem 29 anos, e é filha de mãe natalense e pai paraibano.

Confira o bate-papo abaixo:

MN – Então, prazer, meu nome é Denise.  Muito obrigada pela oportunidade de estar aqui conversando com a gente e queria saber se é a primeira vez que você está aqui em Mossoró ou se você já veio.

– Mas nada, mulher. Minha família é toda do centro, né? Boa parte da minha família é de Angicos, Assu e Mossoró. Então já conheço há algum tempo, minha irmã mora aqui, só que eu não venho com frequência. A última vez que eu vim foi em 2012. É tempo pra danado. Foi quando o Pinga Fogo assumiu o Thermas e daí a gente fez uma consultoria de coisas de eventos. Faz tempo demais.

MN – Mas você gosta daqui ou sente saudade?

– Não, mulher, desse calor eu não sinto não, pelo amor de Deus. Esse calor é um pouco demais. Mas eu gosto principalmente das pessoas daqui que são bem acolhedoras e eu me sinto em casa, né?

MN – Sim, verdade. É bem pertinho, também.

– É bem pertinho, mulher. 4 horas. Só que não.

MN – É, esse Sol, realmente…

– Assim que eu cheguei, eu fui tomar o primeiro banho no hotel. Tem as duas torneiras, aí eu liguei a primeira, aí começou a aquecer a água e eu digo: “Vixe! Liguei o lado errado”. Quando eu liguei a outra, que veio fervendo, eu digo: “Menino, eu esqueci que a água daqui, naturalmente, é quente”. Eu ri demais.

MN – Durante o programa a gente observa que você sempre tenta colocar a personalidade nordestina nos seus pratos. Conte mais sobre esse processo da construção dos pratos e como era estar lá colocando sempre essa personalidade nordestina.

– Na real, eu sou muito Nordeste e Norte. Eu também gosto muito da comida do Norte. Eu acho que é a comida primitiva, são as nativas brasileiras e a gente não pode esquecer as raízes, né? Eu não posso chegar lá e dizer que a comida francesa é a melhor do mundo se eu cresci comendo galinha, que nem eu tava comendo agora, né? Tem coisa melhor do que galinha, menina? Eu adoro galinha. O povo me vê e quer me dar a comida mais fresca do mundo. Eu gosto de bode, de galinha, eu gosto de comida assim. Lá eu ganhei força no dia que eu ganhei fazendo a galinha da minha mãe. Eu digo: “Eu ganhei prova fazendo a galinha da minha mãe, meu amigo, eu vou ganhar esse programa fazendo a minha comida da minha terra”.

MN – Mas você sente muita diferença entre a culinária da gente e a lá do Sul? Quais as principais diferenças?

– Demais, mulher, totalmente. Cada região tem uma biodiversidade diferente que é de sumos, nutrientes e até variações de solos que vão dar coisas diferentes e a comida vai ser diferente. É muito complexo, mas cada microrregião tem um estilo diferente de comida.

MN – Isso vem até das próprias que são acostumadas, né?

– Eu digo que a gente é doido. Aqui é um calor da bexiga e de noite a gente toma cana com caldinho, comida quente. A gente só gosta de comida pegando fogo e lá, que é lugar frio, o povo não toma essas coisas. Por isso que eu sou arretada, minha filha, porque pra comer coisa quente, com pimenta, num calor desse de Mossoró, só sendo muito corajoso.

MN – E o que você tem a dizer sobre sua participação como mulher e como nordestina em um programa tão importante hoje?

– Principalmente o RN, eu acho que nunca teve nenhuma representação a não ser Titina, que foi pra Globo e fez novela, a gente nunca teve um nível desse de representação de pessoas pra  levar o nome assim, né? E eu não estudei pra ser famosa, eu estudei pra ser cozinheira e consegui ter um renome nacional. Chefes do Brasil todo admirando meu trabalho, pra mim, é  o que me deixa muito feliz. E também representei muitas mulheres. Eu recebo  muito Direct de mulher que é espancada e que disse que teve coragem de denunciar o marido por conta que me via na TV e criou força, de  mulheres que saíram da depressão, de mulheres que tinham câncer ou têm e não se valorizavam e me assistindo elas tomaram força. Isso daí não tem prêmio que pague. Pra mim, foi o maior prêmio de todos. Isso não depende de ser homem ou de ser mulher, é a gente conseguir se amar e valorizar o próprio trabalho, porque as vezes a gente faz um trabalho foda e a gente tem vergonha de reconhecer. A gente também, aqui  no Nordeste tem uma cultura muito forte de desvalorizar o trabalho do outro. Tipo, vocês que são jornalistas, o outro blog em vez de se juntar com vocês e fazerem um trabalho muito grande, não, fica numa rivalidade besta e isso só diminui a profissão.

MN – E esse boato de que existe machismo  na culinária?

– Não é boato, o machismo existe em todos os lugares. Na verdade o machismo está aí e é inconsciente, inclusive. Ainda mais no Nordeste que a gente deriva de uma sociedade totalmente coronelista e tem uma cultura de que mulher tem que crescer pra ser esposa que ainda não saiu. Eu acho que isso só vai mudar quando eu tiver os meus filhos e educar os meus filhos diferente, então eles vão mudar um pouco a sociedade. Então tem que dialogar bastante, falar muito sobre o assunto, discutir sobre o assunto pra que a gente consiga enxergar isso. E as vezes têm atitudes mínimas no dia-a-dia que as pessoas não reconhecem que são machismo ou preconceito.

MN – Como você vê a Irina de antes do programa e a Irina de hoje? Existe alguma diferença que acrescentou na sua vida?

– Na verdade, me acrescentou muito conhecimento. Mas de personalidade, eu não mudei nada. Eu continuo humilde, pé no chão, simples. Nada disso me deslumbrou, nada disso me fez ser uma pessoa diferente. Eu continuo sendo a mesma. Só ganhei experiência e conhecimento, que pra mim foi massa. E, tipo, repercussão, porque o Brasil me vê, então, profissionalmente me deixa muito feliz. Eu estou aqui normal, simples, de boa. Quando eu to andando na rua e as pessoas vêm se tremendo pra falar comigo, eu digo: “Olhe, pegue em mim. Eu sou gente igual você. Não precisa se deslumbrar comigo, eu sou um ser humano normal”. Acho muito massa a admiração, mas não o fanatismo, porque eu não sou famosa. Mas a admiração, ser espelho é muito interessante, mas o fanatismo eu tento bloquear. Mas ser espelho é massa, é sinal que eu sou uma pessoa boa. Se bem que Bolsonaro tem um monte de espelho por aí, mas tem gosto pra tudo, né?

MN – Pra finalizar, então conte pra gente seus próximos planos e quais são seus sonhos.

– Isso é a coisa mais difícil do mundo. Eu tinha a meta de vida: antes de morrer, ser reconhecida pelo meu trabalho nacionalmente. E eu tinha a pretensão disso chegar com 40 ou 50 anos e eu consegui com 29. Eu sou muito da gestão, eu gosto de tudo planejado e organizado. Eu tinha um cronograma de vida. Eu sabia que alguma hora eu ia ser muito grande nacionalmente, mas eu sabia que ia ser uma jornada lenta e do nada com 29 anos eu consigo isso. Eu não sei mais nem o que sonhar. Sinceramente, eu não sei. Juro por Deus. Eu estou procurando agora viver. Estou colhendo os frutos do meu trabalho, estou fazendo o trabalho que eu sempre fazia. Mas estou capitalizando pra eu conseguir fazer outras coisas. Mas é muito difícil sonhar quando o próximo passo é o mundo, não é só o Brasil, e isso é uma coisa que a gente, como jovem, não prepara nossa cabeça pra isso. Eu não consigo imaginar. Mas quero abrir um restaurante meu, mas não como um projeto de sede fixa. Eu gosto da proposta de um restaurante intinerante, com cardápio não fixo, todo dia cozinhar o que eu tenho vontade, abrir quando eu quero…

MN – Mas itinerante no Brasil inteiro?

– É, eu tenho o Projeto Distrito que já existia, inclusive, que é um restaurante secreto e itinerante. Inclusive, até hoje, meus jantares são secretos. Quem vier para os meus restaurantes esses dias, não sabe o que vai comer, só quando sentar. Aqui a gente chega nos restaurantes querendo comer aspargos e não sei o quê e a gente esquece que a gente tem bode e quiabo e a gente não valoriza. Aí lá em São Paulo, a entradinha de todos os restaurantes é quiabo hoje em dia. Virou febre e a gente daqui não utiliza. Então a gente está desvalorizando o nosso próprio produto. É como se a gente estivesse desvalorizando nossa gente, nossa cultura, então a gente tem que abrir um pouco a nossa cabeça e entender que isso é tão bom quanto. Como a gente foi colonizado e na Segunda Guerra Mundial vieram americanos aqui e tudo, a gente tem essa cultura muito de marcas, de “o externo é bom”. A gente não é como o pernambucano, por exemplo, que come da sua comida e escuta sua música. A gente não tem isso. A gente sempre quer o que está de fora e o que está de fora não é tão bom quanto.

MN – Você falando agora comigo, eu percebo o quanto a sua culinária é muito mais do que culinária.

– Também responsabilidade social. Eu não consigo fazer uma comida que vai deixar alguém doente, então eu evito os índices de gordura, então a comida tem que ser fresca, justa, saudável. Eu sou uma pessoa muito sociável, eu tento humanizar ao máximo o ambiente de cozinha, que é um ambiente super desagradável. As pessoas têm que fazer o que comem os clientes, as pessoas têm que ficarem felizes, então eu tento ao máximo levar essa questão de responsabilidade social. Quando eu tenho a oportunidade, que eu monto meus restaurantes, eu tenho a hortinha que eu mesma alimento esse meu processo. Então vai muito além. Acho que é por isso que o meu trabalho não vai morrer tão cedo, porque ele vai muito além de só uma comida gostosa. Comida gostosa todo mundo faz.

MN – E também deve ser por isso que você repercutiu tanto, pela pessoa que você é.

– É engraçado que eu não ganhei o programa, mas os contratos eu estou ganhando todos, graças a Deus. Estou muito feliz desse ponto de vista. Eu não tive um hater o programa inteiro. Isso é uma coisa que, normalmente, todos têm, mas eu passei a temporada inteira sem ter um hater, ninguém puxando meu saco. A galera super me curte, me respeita e admira e eu sou avessa a todos os padrões sociais. Eu sou a tatuada, maloqueira, diferente, que chama palavrão, que não me calo. O fã clube de Bolsonaro, se pronunciando no Twitter, torcia pra mim. Até uma galera que não me representa me acha legal, então tá ótimo. Vai que eu vou pra política, quem sabe essa não é minha próxima missão.

MN – Então é isso. Muito obrigada pelo seu tempo. Eu já aprendi tanto só nesses minutos aqui.

– Eu que agradeço, de verdade.

Entrevista: Denise Medeiros – Fotos: Caio Vale/MN

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