A forma da água merece o Oscar?

cinema e tv

POR Karla Menezes

20/02/2018


Era uma vez um filme com contexto histórico, lúdico e com um grande nome assumindo o roteiro e a direção. Receita perfeita para o Oscar, que deu certo. A Forma da Água é o grande nome do Oscar 2018, com 13 indicações no total.

O longa se passa na década de 60 durante a guerra fria. Eliza, a protagonista, é muda e faxineira de um laboratório ultrassecreto do governo americano, onde acontecem experimentos. Um belo dia uma criatura distinta surge no local, então ela se aproxima e apaixona-se pelo ser na surdina. Sem falar mais detalhes da história, posso lhes dizer que a ideia de drama, romance e suspense que o trailer vende está completamente destoante do verdadeiro filme, que trata-se de um conto de fadas erótico e violento.




Quem já assistiu a outros filmes de Guilhermo del Toro, sabe que ele ama um ambiente lúdico e com criaturas peculiares, tanto que é inegável a semelhança física do homem-peixe de a Forma da Água com o Abe Sapien, um personagem de Hellboy (também dirigido por del Toro). O diretor também contribuiu no roteiro, que concomitantemente a produção do filme, tornava-se um livro.

Poderíamos, falar do figurino, da fotografia, das lindas cenas dentro da água, ou até mesmo da grande atuação dos atores envolvidos, porém prefiro falar hoje sobre a moral e significado desta história.

Quando falamos o nome do filme: “A Forma Da Água”, pensamos imediatamente na criatura mística criada dentro daquele universo. Naquele ser dependente da água e que se afeiçoa a uma humana. Um conceito simples demais, para a metáfora real. A água representa o amor real, adaptável, capaz de preencher qualquer espaço, de fluir nos ambientes. Talvez seja uma coincidência, que um grande filosofo da modernidade possua um livro com o tema de “Amor Líquido”, o autor Zygmunt Bauman explica a fragilidade nos vínculos humanos atuais, descrevendo o amor como líquido, frágil, inseguro, completamente ligado ao ter, ao consumo, a conveniência e até ao sucesso. No filme, vemos este tipo de relacionamento com o vilão e sua família, mesmo sem a tecnologia que temos hoje, mas com a crítica ao consumo presente. Por outro lado, destaca-se que o amor não está nas relações padrões, que o amor pode ser encontrado em diferentes composições de lares, que o amor não deve ser um objeto encontrado... o amor está lá surge, mesmo que seja inusitado, surge por afeição e não por sucesso.

Se merece o Oscar? Não sei, mas certamente, merece a reflexão.




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Karla Menezes

Karla Menezes, 27 anos, mossoroense, pós graduada em Social Media pela Universidade Potiguar (UNP) e colunista de Cinema e TV no Portal Mossoró Notícias.