A Liga da Justiça é o melhor filme da DC?

cinema e tv

POR Karla Menezes

21/11/2017

Não sou muito de rodeios, porém gosto de explicar os porquês, que neste caso não chega a ser difícil, tendo em vista, os problemas das produções anteriores. Finalmente, restando apenas o filme da Mulher Maravilha para uma comparação justa (saca o trocadilho?). Até porque ambos são feitos com a mesma fórmula. Confesso que tenho saudades do tempo DC, Cavaleiro das Trevas, onde Christian Bale nem era o melhor Batman, mas estava em um universo tão bem construído e envolvido de boas conexões entre personagens, que a gente nem ligava muito para o estereótipo. Todo esse apego faz parecer que Ben Aflfeck caiu de paraquedas no meio desse universo, ainda mais tendo sua primeira introdução num filme como Batman vs Superman: A Origem da Justiça, de maneira corrida, conturbada, com motivações confusas, em meio ao universo do Superman que já existia. Difícil não comparar, não questionar, mas temos que aceitar a liderança do Batman, mesmo que em alguns momentos ele tenha parecido inútil contra um vilão tão poderoso. O problema não é ele ser o Sr. Planejador, mas sim, a falta de conexão do público com esse novo Homem-morcego cheio de piadinhas e pouco comprometido. Por outro lado, temos um Superman ressuscitado, protagonista de uma das melhores cenas do filme, onde em um momento Badass luta contra, e quase acaba com toda a Liga da Justiça. Um efeito colateral que os participantes sabiam ser uma possibilidade, mas confortavelmente, ao invés de se preparar com kriptonita, preferiram usar o amor da Louis Lane para amansar a fera. Entretanto, o problema real com o homem de aço vem um pouco mais adiante, com o ar de personagem de quadrinho, com caras e falas de bom camarada, que nos deixam dúvidas se o problema é a atuação ruim do ator Henry Cavil, a direção relacionada ao personagem, ou os dois. Até faz sentido sim que o Superman seja a maldição e solução de todos os problemas, espero que as consequências sejam trabalhadas em próximos filmes. Jason Momoa como Acquaman, ficou um pouco aquém das minhas expetativas, pessoalmente falando. Muito mais por problemas de atuação, do que por bons momentos, pois certamente, foi o melhor arco introduzido no filme. Não tenho do que reclamar, das cenas feitas embaixo d’água, uniformes dos Atlantes (tanquinho amostra com bom tempo de tela), efeitos especiais envolvidos e até na maneira como o roteiro explica e introduz os retcons do personagem: simples, porém compreensíveis. Quer entender de Gírias de cinema clique aqui. Os novinhos Flash e Cyborg estão lá... Flash tem dois pontos mega positivos. Primeiro, ele é o alívio cômico do filme, apesar de que num certo momento o recurso fica repetitivo, mas rende boas piadas; segundo, as cenas em câmera lenta com os efeitos dos raios saindo do seu corpo, são as melhores. Ponto negativo, o ar de bobalhão inexperiente, rende uma sensação de que não faria diferença alguma ele está ali, claro que ele possui um poder ainda a ser lapidado, mas existem momentos nos quais ele simplesmente tropeça. Já o Cyborg, tem um papel muito mais importante e fundamental na trama, devido à tecnologia alienígena utilizada em si, porém sinto o personagem jogado. Para mim, uma grata surpresa e provavelmente um dos mais fortes do universo cinematográfico da DC. Por fim, não menos importante temos a “queridinha” Mulher-maravilha. A personagem com melhor introdução neste multiverso DC, a mais natural e com ótimos momentos. Sem exageros, útil com experiência e poder para equipe. Apesar do filme da Mulher-maravilha ter superado muitas expectativas, este filme apesar dos problemas representa muito para universo cinematográfico da DC e do cinema em geral para a cultura pop. Trás uma melhora enorme nas edições cronológicas e no roteiro de uma maneira geral. Cumpre o papel em quesitos técnicos como figurino e maquiagem (não duvido indicação ao Oscar nestes). Temos que considerar a dualidade na direção, Zack Snyder foi o diretor original, porém precisou se ausentar, devido ao suicido de sua filha, sendo substituído por Joss Whedon. Apesar de reconhecermos alguns momentos de esquizofrenia na trama, dessa vez, a coerência vem caminhando junto com a história, aliada a um novo ar cômico, a nossa boa vontade e esperança de transpor para o cinema o que a Liga da Justiça representa para os fãs dos desenhos, quadrinhos e até da TV. Se ignorarmos o que veio antes, sim, me parece um bom começo!

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Karla Menezes

Karla Menezes, 27 anos, mossoroense, pós graduada em Social Media pela Universidade Potiguar (UNP) e colunista de Cinema e TV no Portal Mossoró Notícias.

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