Um Oscar sem surpresas, mas com muita história!

cinema e tv

POR Karla Menezes

08/03/2018


Não é de hoje que opiniões empoderadas são vistas no Oscar. Em 1973, Marlon Brando se recusou a receber o prêmio de Melhor Ator pelo O Poderoso Chefão, por isso, enviou para discursar em seu lugar uma atriz vestida de índia, com o proposito de criticar a forma como a indústria cinematográfica americana tratava os índios norte americanos.  Um bom exemplo de como a premiação pode ser usada para abrir os olhos do mundo sobre certos fatos, seja através de um discurso, ou simplesmente pela representatividade de seus indicados.



Nesta 90ª edição, apesar de grandes favoritos levarem os prêmios conforme a previsibilidade houve uma heterogeneidade impressionante, diretamente refletida nos méritos de cada um dos ganhadores. Desta maneira, mesmo que A Forma da Água tenha abarcado 4 Oscars, outras 16 produções ainda foram ganhadoras de pelo menos um Oscar, quase todos os indicados estavam fazendo história a seu próprio modo. Desde 2016, onde surgiu a polêmica sobre o quão “branca” era a premiação, a academia vem fazendo um grande esforço para se tornar mais inclusiva. O que poderia soar como cotas, apenas soa como naturalidade, já que o talento é interacial e indiferente a gêneros.



Alguns dos filmes por si só, já tratam de assuntos fortes sobre racismo, deficiência auditiva, violência doméstica, homofobia, entre outros... Vimos o diretor Jordan Peele ser o primeiro negro a ganhar Roteiro Original por Corra!, além de ter seu filme indicado em outras três categorias. Greta Gewirg é a quinta diretora já indicada na história (apenas uma ganhou em noventa anos), por Lady Bird. Guilhermo Del Toro é o quarto diretor mexicano a ganhar um prêmio, em 5 anos e fez um discurso sobre imigração. Uma Mulher Fantástica, filme chileno, levou o Melhor Filme Estrangeiro, sua protagonista Daniela Vega é trans. James Ivory se tornou o ganhador mais velho da história, ao levar O Melhor Roteiro Adaptado por me Chame pelo Seu Nome, aos 89 anos. Kobe Bryant, jogador de basquete, ganhou um Oscar por Melhor Curta de Animação, no qual ele fez o roteiro e narração.



E claro que não poderia faltar o momento Time’s Up, que foi representado no discurso de Francis MCDormand. Não foi surpresa a vitória da atriz, mas sim a maneira como agradeceu, pedindo que todas as mulheres indicadas levantassem em seguida dizendo: "Todas nós temos histórias para contar e projetos para financiar. Não falem conosco sobre isso nas festas esta noite. Nos convidem para seus escritórios daqui uns dias. Ou podem ir aos nossos. O que for melhor. E contaremos tudo sobre eles. Tenho três palavras para deixar com vocês esta noite, senhoras e senhores: cláusula de  inclusão."

Neste dia da mulher é necessário lembrar, que somos capazes o suficientes para estarmos inseridas onde desejarmos. Não é necessário apenas incluir a mulher, mas sim reconhecer seus talentos de maneira justa.

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Karla Menezes

Karla Menezes, 27 anos, mossoroense, pós graduada em Social Media pela Universidade Potiguar (UNP) e colunista de Cinema e TV no Portal Mossoró Notícias.