A privatização não é a melhor saída. É a única!

economia e empreendedorismo

POR Vinicius Salgado

12/03/2018


Não dá mais. Realmente já passou da hora de tirar algumas empresas das mãos do governo. O Governo Federal é dono ou tem participação majoritária em exatas 154 empresas. O número já foi maior. Ao final do regime militar, a empolgação nacionalista dos generais-presidentes fez o país chegar a ter 382 estatais sob o controle da União. Mesmo com as privatizações das últimas décadas, o governo continua administrando hospitais, instituições financeiras, centrais elétricas, gasodutos, linhas de transmissão, petroleiras, hidrelétricas, ferroviárias, portos, aeroportos, companhias de abastecimento, armazenamento, fabricantes de armas, e até mesmo empresas que produzem asfalto.

O grande problema da história é que entra governo, sai governo e as estatais brasileiras não param de dar prejuízo. E o que acontece quando estas empresas têm rombo? Quem paga a conta? Isso mesmo, você que está lendo agora. Além da falta de transparência, não se sabe exato os valores investidos (gastos), o retorno disso tudo, a única coisa que sabemos e temos certeza é: as empresas são utilizadas para fins políticos e nós somos roubados diariamente.

Um caso que veio à tona esta semana e que gerou uma revolta daqueles que participam da mamata, foi a privatização dos correios. Talvez seja a primeira empresa que eu privatizaria caso tivesse poder para isso. Para você que não sabe do que se trata, eu te explico. Monopólio é quando apenas uma empresa atua naquele setor, ou seja, quando ela não tem concorrência. Os correios é um monopólio no setor de entrega de correspondências e telégrafos, e sim, mesmo sendo a única que atua no setor, a empresa tem prejuízos bilionários.

No ReclameAQUI, os Correios acumulam 32 mil reclamações de clientes insatisfeitos nos últimos 12 meses. Nenhuma delas respondida pela empresa. Não é de hoje que a empresa acumula escândalos de corrupção e tem dívidas exorbitantes, um exemplo da má gestão e muita politicagem do governo.

Em entrevista, o atual presidente Guilherme Campos (PSD-SP) reconheceu que a empresa estava em crise e que as indicações políticas tiveram seu papel no caminho que a estatal seguiu. Para ele, “Vamos acabar com as indicações políticas só privatizando”. Difícil discordar.

Não irei nem falar sobre os casos de corrupção da Petrobrás, BNDES, Eletrobrás, etc. São muitos exemplos de condutas antiéticas que acabam com qualquer empresa. Sem falar na improdutividade, já que existem milhares de funcionários que são indicados por partidos políticos de força maior e que acabam sendo improdutivos por não estarem preparados para exercer tal cargo. 

O exemplo mais claro que de que este movimento contra a privatização é uma revolta dos que se aproveitam, é a VALE. Na época que a empresa foi entregue ao setor privado, a alvoroço foi grande, talvez até maior do que esta campanha que fazem contra a privatização dos correios e da Petrobrás. Em 2016, a mineradora fechou o ano com um lucro de R$ 4 bilhões, enquanto a Petrobrás fechou o ano com prejuízo R$ 14,8 bilhões. Roubo seguido de má gestão acabaram com a força da empresa que era o maior patrimônio brasileiro.



Então, acabem com o discurso de que a “Petrobrás é nossa”, realmente é nossa, inclusive as contas absurdas. Quanto menos o governo atuar nestas empresas, menos corrupção e mais produtividade elas terão. E eu nem citei a atuação dos bancos ainda, realmente, este ciclo está chegando ao fim. Há uma forte tendência de que muitas empresas sejam privatizadas nos próximos anos e o motivo disso é: não dá mais! Está economicamente insustentável bancar os roubos do governo.  Fiquem à vontade para deixar suas opiniões e discutir sobre o tema comigo.

Att, Vinícius.

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Vinicius Salgado

Vinícius Salgado, 23 anos, mossoroense, acadêmico do 9 período do curso de Economia na UERN e colunista de economia no Portal Mossoró Notícias.