O impacto socioeconômico do Mossoró Cidade Junina

economia e empreendedorismo

POR Vinicius Salgado

14/06/2018

Todo ano surge a mesma discussão, aquela história de que o dinheiro gasto com as festas juninas deveria ser gasto com saúde, educação e todo aquele bla bla bla populista que só quem não entende acredita e ainda cai neste tipo de discurso. Está no art. 6º da constituição federal que o cidadão também tem o direito ao lazer. Além disso, não é permitido alocar recursos de um setor em outro sem ter emenda constitucional, porém, eu não sou da área jurídica para explicar bem isso, então, vamos para as justificativas econômicas.

No evento de 2017, a prefeitura contratou uma equipe especialista para analisar os impactos em diversos setores do Mossoró Cidade Junina, inclusive, eu fiz parte desta equipe como pesquisador de campo. Os resultados foram muito proveitosos quando o assunto é potencialização da economia. Setor hoteleiro, comércio, restaurantes, ambulantes, etc. foram beneficiados com o evento e tiveram o seu investimento aumentado e o lucro bem vantajoso. Além da geração de empregos que estes setores oferecem neste período.

Existem famílias que esperam o ano todo por esse evento para dar uma melhorada nas suas finanças, principalmente, aqueles de baixa renda que se enquadram na categoria de ambulantes e barraqueiros. Em entrevista com os mesmos, relatei vários casos deste tipo, de que o evento é importante para que aumentasse a renda deles no período. Trabalham mais, mas também ganham mais. Todo o gasto feito pela Prefeitura de Mossoró volta cerca de 4 vezes mais para o município. Provando que é bem vantajoso ter um evento bonito, organizado, cultural e que abrange vários públicos e segmentos. Acredito que o mal da população é se basear apenas pelos shows da estação das artes, nos gastos com as bandas, estruturas, etc. que são os alvos das críticas por parte da oposição.

Eu, caso fosse prefeito da cidade, entregaria maior parte do evento para iniciativa privada. O evento é bonito, bacana, dar retorno e não deve acabar, porém, a responsabilidade deve ser de empresas que já trabalhem com isso, que sejam experientes no ramo. Por aqui, é uma licitação para segurança, outra licitação para estrutura, mais uma licitação para conseguir shows, e por aí vai, fora as falcatruas para colocar empresas que são consideradas “laranjas”. A burocracia é tanta, que chegamos no dia da abertura dos shows da estação das artes sem ter camarote para imprensa liberado. Então, a prefeitura deve buscar soluções para os próximos anos, e uma delas, é entregar a realização do evento para empresa privada. 

Melhorias devem ser feitas, o planejamento deve ser mais responsável, a decoração pode melhorar, são vários pontos que a eficiência deve prevalecer, porém, sou contra qualquer tipo de discurso que venha dizer que o evento não é importante ou não deva acontecer. 
É comum do brasileiro olhar apenas para a própria situação e não se colocar no lugar de outras pessoas. Diante de tanta gente que precisa desse incremento de vendas, há sempre alguém deitado no conforto do seu quarto reclamando de fogos de artifícios. 

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Vinicius Salgado

Vinícius Salgado, 23 anos, mossoroense, acadêmico do 9 período do curso de Economia na UERN e colunista de economia no Portal Mossoró Notícias.