Projeto de Sandra Rosado para construção civil terá um efeito reverso

economia e empreendedorismo

POR Vinicius Salgado

26/03/2018

Nos últimos dias, a vereadora Sandra Rosado (PSB), aprovou um projeto na câmara municipal de Mossoró que impõe que as empresas de construção civil de Mossoró tenham 70% do seu quadro de funcionários composto por pessoas residentes em Mossoró. Além disso, 15% destas pessoas tem que ser mulheres.

Economicamente falando, considero a medida totalmente populista e eleitoreira, tendo em vista que a vereadora deve pleitear alguma vaga na Câmara Federal em 2018. Além disso, o projeto terá um efeito totalmente reverso do que o proposto. A ideia é de que Mossoró terá mais empregos com esta medida, como uma forma de “proteção ao trabalhador” do ramo. No entanto, mostraremos por que isso não vai acontecer e também como essa proposta prejudicará as empresas de construção civil.

EFEITOS REVERSOS DA PROPOSTA

 Quando o Estado impõe como as empresas privadas devem contratar, é natural que haja uma diminuição nos empregos. Isso porque o custo da mão de obra de pessoas residentes em Mossoró, por exemplo, tende a ser bem superior quando comparado às pessoas de municípios do interior. Ou seja, o empregador não terá liberdade para contratar a mão de obra mais barata para viabilizar o seu negócio.

Isso acarreta numa elevação do custo de produção da empresa, consequentemente, o preço final do seu produto irá aumentar e poderá ficar inacessível ao consumidor. Resultado: menos pessoas comprando > menos lucro para a empresa > diminuição do quadro de funcionários para diminuir o custo de produção.

Além disso, não existe em lugar nenhum, Estado impondo qual gênero deve ser contratado. Essa luta por igualdade de gênero já passou dos limites e virou totalmente algo popular, eleitoreiro e ineficiente. 

O QUE DEVERIA SER PROPOSTO: INTERVIR DA MANEIRA CORRETA

Criar programas de capacitação para os funcionários: As empresas privadas preferem contratar pessoas capacitadas para realizar tais trabalhos do que simplesmente por residirem em Mossoró. Isso é um modelo de intervenção correta. Já que o Estado quer interferir na maneira como uma empresa contrata, que imponha contratar os mais capacitados e ofereça condições pra isso! Assim, irá alavancar a sua produção e gerar mais crescimento ainda para as empresas. Lembrando, quando as empresas crescem, elas tendem a contratar mais funcionários. Isso sim é positivo para a população local.

Não determine gênero, capacite-os: Não há nenhum programa de igualdade de gênero melhor do que a capacidade das pessoas de resolver problemas. Isso é conquistado com a Inteligência. Eu defendo que as mulheres tenham o mesmo tratamento que os homens no ambiente de trabalho, ou vice-versa, desde que sua capacidade seja igual ou superior. 

Acabou a graça da intervenção estatal, né? Estado muito faz para as empresas quando não atrapalha. Os vereadores mossoroenses, por terem aprovado este absurdo, mostram o quão são deficitários quando o quesito é conhecimento sobre economia. Acham que protegendo os empregos para Mossoró, estarão ajudando os trabalhadores daqui, ou seja, são ultrapassados. 

O projeto foi aprovado na CMM (Câmara Municipal dos Vereadores) e agora está sob avaliação do gabinete da prefeita Rosalba Ciarlini para sanção ou veto. Para o bem do ramo da construção civil da nossa cidade, a prefeita deve vetar este projeto. 


Vinícius Salgado

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Vinicius Salgado

Vinícius Salgado, 23 anos, mossoroense, acadêmico do 9 período do curso de Economia na UERN e colunista de economia no Portal Mossoró Notícias.