Se importem com a Síria, mas também se importem com o Brasil

economia e empreendedorismo

POR Vinicius Salgado

05/03/2018


Há um clamor muito grande nas redes sociais por conta da guerra que toma de conta na Síria. Crianças são mortas a cada minuto, mísseis destroem famílias, um caos, não tem como descrever em palavras. Porém, não podemos fazer nada a não ser se passar de bom moço nas redes sociais com a #PrayForSíria. 



No Brasil, batemos a marca de 60 mil homicídios no ano, crianças são vítimas do tráfico de drogas nas grandes favelas do Rio, estamos em guerra política, guerra moral, guerra de ética... Sabem o que isso gera? Mais desigualdade social e muito mais hipocrisia. Não que seja errado prestar nossas condolências à Síria, mas é errado se importar apenas com o que nada podemos fazer.

Somos o país dos 59 mil assassinatos no ano de 2016; somos o país que matou, nos últimos anos, mais que a guerra civil da Síria; somos o país dos 100 policiais mortos no Rio de Janeiro em 8 meses. Ao mesmo tempo, somos o 60º no ranking da educação e a coisa piora quando se analisa os estudantes por matérias específicas. Somos a pátria educadora que menos educa, somos o país das ideologias políticas; a consequência disso é justamente a violência crescente. A nossa inaptidão educacional, está bem unida à nossa crescente e imparável taxa de criminalidade. Nas escolas ensinam que a culpa das falhas de caráter dos indivíduos não é deles, mas da sociedade que os oprime; dessa forma, reagir criminosamente contra a sociedade e seus representantes, como os policiais, passa a ser um ato de liberdade, uma cultura louvada em músicas, filmes e teatros; algo quase que “ético” e “digno”. 



E porque para o mundo, a lesão do Neymar é mais importante que a Guerra na Síria? Eu respondo para vocês. Hoje em dia, tanto para a mídia, quanto para alguns humanos mesmo, você vale o que você movimenta. Um toque de bola do Neymar vale milhões em imagem, em matérias, em audiência de jornais e isso não é culpa dele. Estamos em ano de copa do mundo, as atenções são voltadas para o futebol e o craque brasileiro e mundial se lesiona a poucos dias da copa, não é uma matéria e tanto para ser abordada? 

Hoje, está na moda se importar com guerra na Síria e esquecer da guerra que vivemos aqui. Além disso, a guerra na Síria já dura há anos e só veio gerar um clamor nacional por paz agora, na hora da lesão do Neymar. Sem falar que a nossa guerra também já dura há anos e o que mais vemos por aqui é gente revoltada que não faz nada para acabar com isso. 

Está na hora de deixarmos a hipocrisia de lado e agir mais com o lado humano, fazer algo que está no nosso alcance. O Neymar é milionário, vai sair dessa e vai trazer a alegria do Hexa para nós. A Síria, nada podemos fazer a não ser rezar bastante. E a nossa guerra? Podemos começar a mudar com as eleições agora em 2018 e não apenas vender seu voto por alguns trocados ou um pão com mortadela. 

“Para os que estão sempre bem informados, os conflitos na Síria não são novidade. Porém, o que caiu nas "graças" do 'Afegão Médio' (leia-se povão) nos últimos dias foi o massacre de centenas de crianças promovido pelas tropas do ditador Bash Al Assad, aquele mesmo recebido com honras de Chefe de Estado durante o governo do PT alguns anos atrás. 
Contudo, o que me deixa mais enojado é ver a hipocrisia nas redes sociais com opiniões superficiais, distantes de qualquer análise técnica e uma pseudo-comoção de gente que sequer consegue ajudar quem está mais próximo da nossa dura realidade desigual. É mais fácil para estas pessoas demonstrar solidariedade pela Síria do que pelas nossas crianças morrendo nas mãos do tráfico dia após dia em nossa cidade. Longe de mim querer competir sobre o que é mais trágico e/ou menos importante, quero esclarecer de antemão que toda essa pseudo-comoção supracitada é uma busca por curtidas, compartilhamentos e uma forma de mostrar aos inteligentinhos do networking que além de um rostinho bonito, você também possui empatia e solidariedade. Hipocrisia, a gente vê por aqui.” (Ewerton Medeiros)

Perdemos a nossa consciência ética e moral em algum canto da história com a mesma velocidade com que 100 policiais foram mortos e enterrados recentemente. 


                                                                                                  
#PrayForBrazil

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Vinicius Salgado

Vinícius Salgado, 23 anos, mossoroense, acadêmico do 9 período do curso de Economia na UERN e colunista de economia no Portal Mossoró Notícias.