MDB começa a desmoronar no RN

política

POR Allan Darlyson

25/04/2019

Tradicional partido desde a liderança do ex-governador Aluizio Alves, o Movimento Democrático Brasileiro (MDB) chegou ao ápice de ser o maior partido do Rio Grande do Norte, mas hoje desmorona diante do rompimento do deputado federal Walter Alves (MDB) com o ex-ministro Henrique Eduardo (MDB).

Histórico de derrotas

O MDB estadual começou a se enfraquecer em 2002, com a vitória da ex-governadora Wilma de Faria. De lá para cá, perdeu todas as disputas em nível de Estado. Em 2010, o partido ficou oficialmente neutro e liberou suas lideranças. 

Natal

Na capital potiguar o partido perdeu a força, quando colocou o deputado estadual Hermano Morais (MDB), de lado para apoiar outros projetos. 

Hoje, apesar de bem avaliado, o prefeito Álvaro Dias (MDB) não possui capilaridade eleitoral. Suas bases políticas são no Seridó é a espinha dorsal de sua gestão vem do ex-prefeito Carlos Eduardo. 

Na Câmara, só tem uma das 29 cadeiras, ocupada pelo vereador Felipe Alves. A sigla. Corre o risco de ser varrida da capital nas eleições do ano que vem. 

Mossoró

Em Mossoró, segundo maior colégio eleitoral do Estado, o MDB é comandado pela presidente da Câmara, Izabel Montenegro, e não tem qualquer condição de lançar um nome próprio. Deve seguir como linha auxiliar da prefeita Rosalba Ciarlini (PP).

Rejeição a Temer

Com a forte rejeição popular ao governo Temer em todo o País, o MDB sofreu as consequências por apoiá-lo. No RN, o ex-senador Garibaldi Filho terminou em quarto lugar na disputa pela reeleição. Nas eleições municipais de 2016, esse “furacão anti-MDB” ainda não existia.

Racha familiar

A situação no MDB se agravou após a declaração de Walter de que deixaria o partido junto com o ex-senador Garibaldi (MDB) se Henrique assumisse o partido. Henrique deu o silêncio como resposta. 

Nos bastidores 

Toda a classe política sabe que Walter não gostou de Henrique, em vez de se engajar na campanha dele, tirou apoios do candidato do partido para entregar ao deputado federal Benes Leocádio (PRB). 

Fogo amigo

Em resposta, Walter começou a mudar os diretórios municipais, com o aval do seu pai Garibaldi, presidente estadual da sigla. Onde as lideranças teriam “traído”, o deputado procurou novo grupo, como em Governador Dix-sept Rosado, e cedeu a direção do partido. 

Força no interior

Mesmo em crise interna, devido ao rompimento familiar, o MDB continua forte no interior. Fez 40 prefeitos nas eleições de 2016 e hoje tem 48. No entanto, a maioria é de cidades pequenas, o que não gera grande representatividade. 

Perigo

O risco que o MDB corre com o racha entre os primos é uma desfiliação em massa do lado de Walter/Garibaldi ou do de Henrique. 

Fugindo da “briga”

Hoje, o partido está desmoronando, enfraquecido, com desfiliações gradativas. Mas, família a gente sabe como é. Uma reconciliação pode salvar a legenda da inanição estadual, como vem acontecendo. Hoje, o partido só tem dois deputados estaduais: Hermano Morais e Nélter Queiroz. Para voltar a crescer, o MDB precisa de união.

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Allan Darlyson

Jornalista, formado em 2011 pela UFRN. Passou pelas redações do Correio da Tarde, Diário de Natal e TV Ponta Negra. Na área de Assessoria de Imprensa, atuou como assessor de diversos políticos. Rompendo as fronteiras do jornalismo, em 2018, passou a fazer o marketing de campanhas políticas. Hoje, atua como assessor de Comunicação.