Professor Pardal previu NetFlix nos anos 70

Tecnologia

POR Carlos Augusto

18/05/2019


Seria possível o Almanaque do Professor Pardal de 1972 ter previsto a existência da NetFlix ou seria mais um destes encaminhamentos Fake News do WhatsApp? Acompanhe mais esta interessante história na coluna de tecnologia desta semana. 



No final dos anos 80, início dos 90, não tinha programa melhor de fim de semana do que locar filmes para assistir com a família. Sexta à noite e sábado pela manhã as locadoras de vídeo estavam sempre cheias. Todos procurando lançamentos ou filmes que faziam a cabeça dos que estavam buscando entretenimento. 



O processo era simples, entravamos na locadora, escolhíamos os filmes, no balcão entregavam-nos as fitas e levávamos para casa. Bom mesmo era locar no sábado, pois o domingo não contava como diária e a devolução acontecia na segunda-feira. Em Natal - cidade que morava naquela época -  dentre as melhores locadoras da cidade, estavam a Canal 1, Green Vídeo e Yellow Vídeo - sempre estavam atualizadas com lançamentos como: Indiana Jones; De Volta para o Futuro; Robocop; Loucademia de Polícia; Rocky e tantos outros que mexiam com a nossa imaginação (lembrando que não tínhamos internet em 1990). 

Locávamos VHS, depois passamos para a tecnologia do DVD, Blu-ray e tínhamos que devolve-los na locadora, existia um fluxo físico`. Depois do NetFlix não me vejo mais nessa situação – sair de casa para alugar filmes e ainda ter que devolver na data combinada para não pagar diárias extras. Uma observação: entregar a fita sem rebobiná-la custava R$ 1,00 (um real).

Atualmente vivemos a era do streaming, que, de uma maneira geral podemos dizer que é a transmissão de dados – filmes, por exemplo – sem a necessidade de ter que “baixá-los” em nossos dispositivos. Os aplicativos como NetFlix, Amazon Prime, HBO Plus são os mais utilizados para assistir filmes, além do YouTube, claro.

Voltando ao nosso assunto: ano passado recebi a imagem abaixo pelo WhatsApp e, me deixou com uma pulga atrás da orelha.


Foto: reprodução twitter.

Na imagem, a capa de um Almanaque do Professor Pardal, e ao lado o texto com a seguinte previsão: 
“Em um futuro próximo o aparelho de TV poderá estar ligado a uma grande loja de cassetes. A pessoa então escolherá entre milhares de títulos, simplesmente discando um determinado número, num teledial. A vídeofita escolhida aparecerá na tela, dentro de casa e a conta virar no fim do mês, junto com a do gás ou da luz.”

Depois de ler não acreditei e decidi buscar, seria esta previsão verdade ou fake?

Descobri que a imagem foi divulgada no twitter em 30 de dezembro de 2017, pelo perfil @samanthaweather, que pertence à meteorologista brasileira Samantha Martins. Ainda assim não tinha a confirmação se a imagem era verídica ou não, afinal, compartilhamento de notícias falsas é muito comum. As pessoas tem o costume de “repassar” sem checar.

Pesquisando por aquele Almanaque, cheguei ao site  www.scribd.com.

O Scribd armazena publicações digitais, na qual milhões de pessoas fazem parte e distribuem seus conteúdos para quem quiser acessar, tudo gratuitamente. Lá, achei finalmente o Almanaque do Prof. Pardal, da Editora Abril, tendo como editor e diretor Victor Civita, e publicado com data de 1972. E, para minha surpresa, na página 122, está o texto, confirmando a veracidade da informação

Duvida? Acesse o almanaque neste link: bit.ly/almanaqueprofpardal

O capítulo que começa na página 120 tem o título “TV – A maravilha do século” e fala sobre a invenção da TV, explica como funciona a Videofita (VHS) e no tópico sobre videocassete, faz a previsão da “locadora de filmes dentro da TV”. 


Foto: Almanaque Prof. Pardal 1972.

Eu que imaginei que aquele tweet não passava de uma montagem malfeita, tive a agradável surpresa de descobrir que o Almanaque existe, o texto é real, e que o Professor Pardal previu o futuro bem melhor que a própria mãe Dináh.
 
NetFlix

A ideia inicial da NetFlix não era alugar filmes para assistir via streaming. A empresa fundada em 1997 entregava DVDs pelo correio. O sistema era de assinatura mensal, em que o cliente escolhia três filmes no site e recebia os DVDs pelos correios. 

Assista o comercial antigo: 



À medida que o cliente assistia, poderia devolver um a um usando a mesma logística, deixando em sua caixa de correio para serem entregues de volta. Cada vez que fazia uma devolução, recebia outro de sua preferência. 

Somente em 2007 a empresa decidiu mudar para streaming. Em 2011 chegou ao Brasil, ainda com catálogo pequeno, mas crescendo ao longo dos anos. Ultimamente a NetFlix tem retirado muitos filmes de seu catálogo. A remoção dos títulos não ocorre por decisão dela, mas sim porque empresas concorrentes como a Disney, por exemplo, que, em breve terá seu próprio serviço de streaming, não querem compartilhar suas produções. Por outro lado, crescem as produções próprias, que considero muito boas.

Gostou da história? Sou assinante do NetFlix desde 2012 e acho as séries europeias as melhores, e você, é assinante desde quando? Deixe seu comentário.

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Carlos Augusto é entusiasta de tecnologia desde que ganhou seu primeiro videogame em 1985, o Odyssey da Philips.

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Carlos Augusto

Carlos Augusto M. Costa, 42 anos, pós-Graduado em Docência do Ensino Superior e especialista em Gestão da Tecnologia da Informação, empreendeu no segmento de informática por quase 10 anos e atuou como Gerente de Tecnologia da Informação do Shopping Partage Natal por 7 anos. É Professor de Graduação e Pós-Graduação da Escola de Negócios da Universidade Potiguar,  Campus Mossoró.

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