O que sabemos sobre violência obstétrica?

saúde

POR Izamara Luana

30/06/2019

Nome não tão conhecido, mas que ocorre mais vezes do que imaginamos. A violência obstétrica ainda é tão frequente nas maternidades. Vamos entender um pouco sobre o que é a violência obstétrica, afinal, conhecimento é valioso e pode nos livrar de muitas situações incômodas. 

A luta pela garantia dos direitos reprodutivos das mulheres vem acontecendo desde a década de 90 por meio de algumas classes de profissionais de saúde e pessoas defensoras dos direitos humanos. No Brasil, segundo informações do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde – DATASUS, de 2015, os partos hospitalares representam 98,08% dos partos realizados na rede de saúde e, entre os anos de 2007 e 2011, houve um aumento de 46,56% para 53,88% de partos cesáreas. Dados divulgados pelo Ministério da Saúde (2015) mostram que a taxa de operação cesariana chega a 56% na população geral. Dado bastante alarmante, pois a porcentagem aconselhada para os procedimentos em cesárea é de no máximo 15%. É importante ressaltar aqui que o parto cesáreo só deve ser indicado quando há riscos para a saúde da mãe e do bebê. Caso não tenha riscos reais e comprovados, a mãe deve sim ter o direito de escolher o parto normal. Por isso, a escolha do profissional obstetra deve ser criteriosa. 

Além dos altos números de parto cesáreo, também podemos destacar o alto número de intervenções durante o trabalho de parto, com mostra a mesma pesquisa do Ministério da Saúde, onde em 70% das mulheres foi realizada punção venosa, cerca de 40% receberam ocitocina e realizaram aminiotomia (ruptura da membrana que envolve o feto) para aceleração do parto e 30% receberam analgesia raqui/ peridural. Durante o parto também foram encontradas intervenções, como a posição de litotomia (deitada com a face para cima e joelhos flexionados) foi utilizada em 92% dos casos, a manobra de Kristeller (aplicação de pressão na parte superior do útero) teve uma ocorrência de 37% e a episiotomia (corte na região do períneo) ocorreu em 56% dos partos.

Em muitos casos, o que era pra ser um momento de boas recordações, acaba sendo uma lembrança dolorosa. Precisamos compreender que o processo de gerar durante nove meses um ser no ventre de uma mulher é um acontecimento da própria fisiologia feminina, não algo que deve ser visto como patológico. É claro que algumas mulheres precisam sim de algumas intervenções devido a problemas de saúde adquiridos, mas não podemos generalizar. Cada gestação possui suas próprias características e seus próprios acontecimentos e estes devem ser respeitados. Dessa forma, a busca pelos direitos da mulher obstétrica e a utilização de técnicas de parto humanizado passaram a ser frequentes por meio de algumas áreas profissionais em saúde. Segundo Tornquist (2002), o movimento teve como base as propostas realizadas pela OMS em 1985 que estimulavam o parto vaginal, a amamentação logo após o parto, o alojamento conjunto da mãe e do recém-nascido e a presença de acompanhante durante o processo. Além disso, recomendava a atuação de enfermeiras obstétricas na atenção ao parto normal e a inclusão de parteiras no sistema de saúde em regiões sem presença da rede hospitalar.

Há diversos casos citados na literatura de mulheres que se sentiram violentadas pelos profissionais durante o parto. E essa violência obstétrica inclui diversos pontos, como o tratamento desrespeitoso, incluindo relatos de terem sido mal atendidas, não serem ouvidas ou atendidas em suas necessidades e terem sofrido agressões verbais e físicas. E em alguns relatos, as mulheres falam que sentiram medo ou vergonha de perguntar sobre determinado procedimento. Na violência obstétrica também está incluso o uso excessivo de medicamentos e intervenções na hora do parto, raspagem dos pelos pubianos, episiotomias de rotina, realização de enema, indução do trabalho de parto e a proibição do direito ao acompanhante escolhido pela mulher durante o trabalho de parto. 

Considerando todos estes pontos e todos os trabalhos publicados nessa linha de raciocino, podemos dizer que a violência obstétrica é considerada uma violação dos direitos das mulheres grávidas em processo de parto, que inclui perda da autonomia e decisão sobre seus corpos. E como podemos mudar essa realidade? É SIMPLES!

O básico e o início de tudo começa em nós, através do conhecimento, a busca por informações. Não podemos continuar fingindo que entendemos tudo. Se não compreendeu, pergunte, questione, queira saber os riscos de determinado procedimento, é seu direito, e este ninguém pode tirar. Se você já passou por violência obstétrica, ajude outras mulheres que ainda vão vivenciar o parto a não passar por isso. Conhecimento é importante e necessário. Espero que tenha gostado e até a próxima semana! 

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Izamara Luana

Izamara Luana, 24 anos, mossoroense, bacharel em Enfermagem e pós-graduanda em UTI e Urgência e Emergência.

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