EUA e México disputam extradição de traficante preso em Mossoró 


EUA e México disputam extradição de traficante preso em Mossoró

A Justiça dos Estados Unidos e a do México têm o mesmo desejo de levar a julgamento o mexicano José González Valencia, o La Chepa, de 43 anos, preso da Penitenciária Federal de Mossoró. Ele é acusado por crimes relacionados ao narcotráfico internacional. Foi capturado pela Polícia Federal em dezembro de 2017 quando passava as festas de fim de ano com a família em Fortaleza (CE).

La Chepa teria enviado aos Estados Unidos pelo menos cinco toneladas de cocaína, de acordo com a Justiça americana. Já no México, a terra natal dele, além da mesma acusação, também foi denunciado por participar do assassinato de um funcionário público do governo do estado de Jalisco.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

 “Várias testemunhas colaboraram reportando que González Valencia planejou, financiou e coordenou o transporte e importação de cocaína destinada aos Estados Unidos, desde as Américas do Sul e Central, e através do México, por meio de caminhões, submarinos e outros métodos de contrabando”, afirmou o agente da DEA Kyle J. Mori, em em testemunho incluído no pedido de extradição do governo americano, feito em junho 2017.

Em março de 2018, o pedido do governo mexicano para prender e extraditar La Chepa chegou ao Supremo Tribunal Federal. Caberá ao STF decidir para qual dos dois países ele será extraditado. O caso tem a relatoria do ministro Celso de Mello, o decano da corte brasileira.

Ligação com El Chapo

O estrangeiro preso em Mossoró é tido pelas autoridades como um dos chefes do grupo criminoso mais rico do México, Los Cuinis, o braço financeiro do violento Cartel da Nova Geração de Jalisco (CJGN, a sigla em espanhol), alvo de uma campanha contra o narcotráfico promovida pelo presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador.

Comandados por ao menos sete irmãos da família González Valencia, Los Cuinis têm o domínio de rotas de tráfico que levam cocaína produzida na Bolívia e na Colômbia para o Canadá e países europeus e asiáticos. Lavam dinheiro obtido com o narcotráfico em clínicas de rejuvenescimento, hotéis e restaurantes no México e outras empresas criadas nos Estados Unidos, Uruguai e Argentina, de acordo com investigações.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE

A associação de Los Cuinis com o CJGN tem uma raiz familiar. Rosalinda Gonzalez Valencia, irmã de La Chepa, é mulher de Nemesio Oseguera Cervantes, El Mencho, o chefe da nova geração de Jalisco.

No México, pelo menos cinco traficantes ligados ao CJGN afirmaram, em delação firmada com a Justiça, que La Chepa é um dos líderes do cartel e determinou a morte de um funcionário do governo de Jalisco, cumprindo ordem de El Mencho, cunhado dele.

O CJGN foi formado por membros da antiga célula de proteção do Cartel de Sinaloa, comandado por Joaquín Guzmán, El Chapo, condenado nos Estados Unidos a prisão perpétua e a pagar uma indenização de US$ 12,6 bilhões. O cartel é conhecido pela crueldade com que trata os inimigos. Os ritos de iniciação incluem atos de canibalismo.

Fala La Chepa

“Eu nunca participei de nenhum narcotráfico em nenhuma parte. Isso não é verdade”, afirmou La Chepa, em depoimento a um juiz federal. Ele afirmou que só esteve nos Estados Unidos entre anos de 1996 e 1998, onde afirmou ter estudado vocalização. “Eu queria ser cantor, mas não deu certo”.

Com informações do UOL. 

Comentários




mais notícias