Eleições

A farra das pesquisas falsas no RN e em Mossoró

A farra das pesquisas falsas no RN e em Mossoró

Foto: Reprodução

Concluída a eleição no Rio Grande do Norte e na Assembleia Legislativa, o deputado Tomba Farias (PSDB) fez um protesto/denúncia sobre algo que todos perceberam nas eleições do Rio Grande do Norte, sobretudo em Mossoró e que certamente em muitos locais foi decisiva para induzir o eleitorado a mudar a imagem dos atores políticos: apagar avaliações positivas de administrações e realçar aspectos negativos, sem falar em criar uma série de efeitos em cadeia a favor e contra quem o instituto contratado decidia falseando números.


Em Mossoró, o cúmulo do erro foi propalado pelo instituto AgoraSei que cravou que o candidato da coligação PSD/SD Allyson Bezerra venceria as eleições por 21% dos votos válidos e 17% dos votos totais. Isso de maioria. O que se viu nas urnas, no entanto, foi uma vitória por 2,5% dos votos totais e pouco mais de 4% dos votos válidos. Ele não atingiu sequer a metade dos eleitores que escolheram outros candidatos e se Mossoró tivesse mais 23 mil eleitores, a suposta informação de que ele venceria por larguíssima vantagem, não apenas seria desmentida, assim como foi pelas urnas, como também sequer garantiria êxito eleitoral.


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E, com essa leitura, haveria um 2º turno entre o companheiro de partido de Kelps Lima e a atual prefeita de Mossoró, com um adendo: devido ao estilo de campanha de Bezerra, que entre outras práticas, pessoas da cúpula campanha utilizaram a ferramenta de reuniões internas em templos e igrejas distribuir impropérios e calúnias sobre a visão religiosa de Isolda e sobre a vida no aspecto mais que pessoal de Claudia e de Isolda, seria certo de que não receberia o apoio das mesmas. Pelo contrário, já havia angariado com esse estilo de campanha total repulsa delas.


Mas as pesquisas falseadas serviram para isto: primeiramente esvaziar as campanhas de Cláudia e Isolda, bem ao estilo do ditado americano “fake it until make it” (falseie até que isso se torne verdade) e assim aconteceu com pesquisas como a da ‘AgoraSei’ retirando apoios e votos das campanhas de Cláudia e de Isolda, aparentemente bem antes de ter havido qualquer queda em ambas para dar a entender ao eleitor que somente o candidato do SD/PSD teria chances de polarizar com Rosalba.


Deu tão certo esta artimanha que o núcleo duro da campanha encabeçado pela direção de uma rádio local, aproveitando-se do distanciamento dos verdadeiros donos da emissora, transformaram-na em horário eleitoral gratuito do deputado Alysson com duração de 24 horas por dia. Isso com sopapos e apupos permanentes em sua oponente na reta final, Rosalba Ciarlini. E aí o truque da pesquisa veio novamente com todo o gás e objetivo claro: inventar distância de 15, 17 ou 21 % na famigerada AgoraSei e aí criar crise e afugentar apoios à campanha de Rosalba, eliminar os vereadores progressistas e ganhar os cerca de 5 a 10% do eleitorado que é influenciando a votar em quem está “certo de ganhar”.


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Deu certo, pois uma vez que a primeira leva de pesquisas falsas para atacar as campanhas de Isolda e Cláudia, tinha, inclusive, retirado apoios de empresários ligados a uma emissora de TV que haviam contratado uma pesquisa e mostrando na época um quadro real: a pesquisa da Sensatus. Ocorre que nesse joguete de ganho de apoios, via instrumento dos levantamentos quantitativos, a campanha do deputado conseguiu cancelar a divulgação daquela pesquisa, que chegou a sair em site oficial e retirado com a versão pitoresca de uma “invasão hacker”. E mais: fez sumir de Mossoró outros institutos que já haviam registrado pesquisa como o I2, que chegou a ser contratado por uma outra emissora de rádio e deu um sumiço na reta final.


No decorrer de uma descida da Presidente Dutra apoteótica da maior oponente nesta campanha, adivinhe o que aconteceu burlando até o anúncio de instituto e meio de comunicação que asseverou divulgação de nova pesquisa para o sábado? A campanha de Alisson já saía divulgando os resultados da pesquisa do dia seguinte. Até hoje não se sabe o que saía primeiro: se a militância do candidato com números na mão para angariar adesões, apoios de candidatos a vereadores e doações pecuniárias ou efetivamente a notícia.


No sábado, um dia antes da eleição, mais uma: pela primeira vez em quatro anos, o jornal AgoraRN possuía centenas de pessoas no centro de Mossoró e distribuía gratuitamente sua edição dando vitória do deputado por cerca de 20% dos votos válidos. Não vamos entrar nem no ponto do dia da eleição e o que foi visto e registrado junto à justiça eleitoral em locais de votação. Fica a dúvida agora se o Ministério Público Eleitoral, Justiça eleitoral, TRE’s e TSE vão fazer algo para investigar esse suposto esquema de fraude e indução supostamente criado por institutos de pesquisa e seus criadores/parceiros.


Na denúncia de Tomba Farias, que foi vitorioso em sua cidade natal, Santa Cruz (RN), e em várias bases políticas, citou a pesquisa que saiu no Blog do BG, dando vantagem de mais de 20% em Afonso Bezerra a um candidato que terminou recebendo este empurrão arrebatador e decisivo para obter êxito por míseros 2% de vantagem. Qualquer semelhança com a capital do oeste pode ser, ou não, mera coincidência...

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