Como o cidadão armado influencia na decisão de um criminoso

economia e empreendedorismo

POR Vinicius Salgado

25/04/2018

Cada vez mais o debate sobre o estatuto do desarmamento vem à tona e várias situações são consideradas. Uma delas é de como será o comportamento do criminoso sabendo que o indivíduo de bem pode estar armado ou não. Isso, por incrível que pareça, também tem uma análise econômica por trás.

Tudo na vida tem custo-benefício, neste caso, a teoria dos jogos explica que o indivíduo toma decisões racionais de acordo com as consequências. No caso, o custo de cometer um crime é viável ou não? O criminoso pode sofrer reação, perder sua vida por isso e tem risco de ser preso, sem analisar a impunidade. Mas, nos dias de hoje, está bem mais propício que o criminoso opte por tomar atitudes ilícitas.

Seres humanos se sentem superiores quando são covardes, o comportamento do criminoso justifica isso. O indivíduo, para cometer um crime, precisa ser superior à vítima, estando armado ou não, então, a vulnerabilidade da vítima propõe um aumento na ação criminosa destes meliantes. Como seria se fosse “de igual para igual’? 

Baseando-se sempre que indivíduos tomam decisões racionais, o criminoso tende a pensar duas vezes antes de cometer um crime, sabendo que pode ter uma reação que a prejudique. Hoje em dia eles agem de acordo com a covardia e impunidade, porém, se o estatuto do desarmamento for revogado, criminosos podem pagar caro pela decisão de cometer crimes. 

O indivíduo que comete um crime de cunho econômico (roubo, furto, assalto etc.) pode ser considerado uma espécie de “empresário”, e como um empresário de qualquer ramo de atividade econômica, seu objetivo principal é o lucro obtido em cada “empreitada”. Porém, neste “mercado” (criminoso), existe um grande risco deste individuo vir a sofrer algum tipo de sanção (multa, prisão, ou talvez até mesmo a morte). Além disso, para alguns estudiosos, tais atividades convivem em muitos casos de forma implícita com o princípio hedonista, que é o de sentir prazer ao cometer ato ilícito. (SHAEFER e SHIKIDA, 2001)

Becker (1968), grande referência na área de economia do crime, parte do pressuposto de que o indivíduo criminoso, conforme seu grau de aversão ao risco, decide quanto de seu tempo ele irá alocar entre uma atividade econômica legal ou ilegal. Assim, se o resultado de cometer um crime for melhor do que agir no meio legal, ele optará por cometer crimes.
 
Então, de acordo com a teoria econômica do crime, a liberação do porte de armas inibe a ação de alguns criminosos. O efeito ação x reação será superior aos seus ganhos ao cometer um crime. No Brasil, se a lei for revogada, com certeza haverá estudos avaliando impactos da medida ao longo do tempo. 

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Vinicius Salgado

Vinícius Salgado, 23 anos, mossoroense, acadêmico do 9 período do curso de Economia na UERN e colunista de economia no Portal Mossoró Notícias.

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