Os pacientes que estavam aguardando a realização de cirurgias eletivas foram pegos de surpresa com a suspensão dos procedimentos por parte dos médicos nesta quinta-feira (13). De acordo com os profissionais, a Prefeitura de Mossoró não realizou o repasse dos valores dos contratos para a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Mossoró (APAMIM), que administra o Hospital Maternidade Almeida Castro (HMAC). As informações são do Jornal de Fato.
“A prefeitura atrasou o pagamento dos médicos que realizam as cirurgias eletivas. Eles fazem parte de um contrato feito pela APAMIM, com recursos da Prefeitura de Mossoró. É justamente esse valor que está atrasado e, por isso, os médicos paralisaram os procedimentos”, disse a assessoria da APAMIM.
De acordo com as informações, o repasse não é realizado desde o mês de junho. Os pacientes e seus acompanhantes se mostraram surpresos e preocupados com a notícia da suspensão e afirmam que se trata de uma falta de respeito com as pessoas que estão aguardando, há meses, suas cirurgias. “Antes do prefeito Allyson Bezerra fazer propaganda do piso intertravado, deveria ter cuidado com o básico, exemplo: saúde. Coisa que na sua campanha eleitoral disse que não iria faltar”, informou uma paciente.
A paciente que reclamou da situação recebeu a informação do adiamento da sua cirurgia no dia em que ela estava programada para ocorrer. “A guia de internamento estava ok. A ansiedade também, o pedido de doadores de sangue também deu tudo certo. Porém, o impasse (falta de pagamento) com o prefeito não foi resolvido. Então, os médicos fizeram o cancelamento das cirurgias agendadas para hoje. Por falta de pagamento há meses, essas cirurgias estão suspensas por tempo indeterminado”, disse a paciente.
A assessoria da APAMIM explicou ainda que a Prefeitura de Mossoró está realizando o repasse dos outros serviços que são prestados pelo hospital, que são provenientes de recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). “Os serviços que a APAMIM presta ao SUS, que passa por auditoria e envia ao município de Mossoró os valores referentes a eles, estão ocorrendo conforme os recursos vão entrando nas contas do município. O que não está em dia é o contrato para a realização das cirurgias, que é justamente uma parceria firmada entre PMM e APAMIM”, explicou.
A suspensão das cirurgias ginecológicas eletivas ocorre um ano após a sua retomada. Em outubro de 2021, a Prefeitura informou que, devido a uma parceria com a APAMIM, seria possível retornar com os procedimentos, após um período de paralisação que provocou uma fila de mais de 800 pacientes à espera das cirurgias. Após a retomada, os médicos chegaram a realizar até 60 procedimentos por mês.
A Prefeitura de Mossoró ainda não se pronunciou sobre a suspensão.